Mostrando postagens com marcador Intertextualidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Intertextualidades. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XV: Circuito Guimarães Rosa - PRECATÃO



Seu Precatão. Apelido dado pelas irmãs, na juventude, é o nome como se popularizou em Cordisburgo. Barbeiro antigo na cidade, foi amigo de Juca Bananeira e Manuelzão, tipos eternizados na obra de Guimarães Rosa e cujas fotos estão expostas no espelho e na parede da barbearia.

Duas coisas de que não gosta: do Ibama e dos padres. O primeiro, por cercear as atividades dos caçadores, dos quais Seu Precatão é um. Já a aversão a padres se deve a um incidente com um antigo páraco de Cordisburgo, que, em plena missa, mandou perguntar se as fotos de mulheres nuas à época expostas na barbearia seriam das irmãs do barbeiro. Este, rebateu o sermão: mandou avisar ao padre que algumas eram, sim, suas irmãs, mas uma delas era a mãe do vigário!


O "causo" mais popular dessa personagem para lá de carismática e divertida está registrado neste pequeno vídeo feito com uma cyber-shot, enquanto Seu Precatão raspava meu cabelo, num começo de tarde.

Fala do seu suposto encontro com o demo, ao qual, ao longo do Grande Sertão: Veredas,Guimarães Rosa deu, mais ou menos, 92 nomes...







***Clique sobre a imagem, para vê-la no tamanho original***











sábado, 3 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XIII: Circuito Guimarães Rosa - CAFÉ COM PROSA


Contíguo à casa da proprietária, Café com Prosa é um aconchegante ateliê da artesã Sandra, membro do Grupo da Terceira Idade Estrelas do Sertão (ver postagens X e XI dessa série). De souvenir a obras de arte, passando por objetos antigos da família (estes não estão à venda, como o oratório que pertenceu à avó de Sandra), o universo rosiano também passa por ali.

Destaque para os bordados da artesã e as pinturas em arte naif de J. Murilo, seu irmão, pintor cujo trabalho é totalmente voltado para a obra de Guimarães Rosa.


***Clique sobre as imagens, para vê-las no tamanho original***

























terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eu vi meus Gerais XI: Circuito Guimarães Rosa - BORDANDO ROSA (Vídeos)


Integrantes da Associação Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa, essas senhoras do Grupo da Terceira Idade Estrelas do Sertão, à partir de leituras ou de episódios dos livros que alguém lhes conta, se reúnem todas as segundas-feiras para bordar passagens da obra de Rosa. O menino Rodrigo, de 14 anos, é quem desenha, à partir das solicitações dessas senhoras e sugestões de Brasinha (haveremos de falar um pouco mais desta personagem), episódios e temas a serem relidos por essas mãos fabuladoras.






segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu vi meus Gerais VII: Circuito Guimarães Rosa - ESTAÇÃO CORDISBURGO


Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com o expresso do Rio, e estava lá, no desvio de dentro, na esplanada da estação. Não era um vagão comum de passageiros, de primeira, só que mais vistoso, todo novo. A gente reparando, notava as diferenças. Assim repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo de grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que, com pouco, ele ia rodar de volta, atrelado ao expresso daí de baixo, fazendo parte da composição. Ia servir para levar duas mulheres, para longe, para sempre. O trem do sertão passava às 12h45m.


(João Guimarães Rosa, "Sorôco, sua mãe, sua filha", in: Primeiras Estórias)




Inaugurada em 1904, a estação de Cordisburgo "É a porta de entrada para a Gruta de Maquiné. Está bem, assim, porque a FCA [Ferrovia Centro-Atlântica, concessionária do transporte de cargas] mantem lá uma turma de manutenção e também porque houve alguma vontade política do municipio em conservar o patrimônio. Um outro edificio, possivelmente um armazém, também foi reformado. A mesma sorte não tiveram a casa do agente, invadida, seis ou sete casas de turma, abandonadas e mais um prédio com um pé direito enorme. Está com as portas e janelas arrancadas" (Gutierrez L. Coelho, 2003). "A FCA usa o espaço da estação, mas não cuida do prédio. Há sinais de depredação no prédio da estação e nos demais da antiga EFCB naquela área. A Turma do Km 743 foi totalmente depredada. Restam só paredes daquilo que foram residências de trabalhadores que cuidavam da linha. As operadoras modernas alegam que não precisam mais desse tipo de trabalhador. As linhas, antes tão limpas e asseadas, hoje estão tomadas pelo mato e lixo. O que interessa é o trem circular, nada mais. O povo é que se cuide com a dengue, baratas e ratos provenientes da área da linha. Notem que a FCA faz muita propaganda sobre programas de gerenciamento e otimização das operações, mas desperdiça material caro. O material que antes a RFFSA e EFCB guardava em almoxarifados, hoje é largado na beira da linha. Notem as placas de apoio e sacos com pregos de linha abandonados no pátio" (Pedro Paulo Rezende, 20/1/2009).

(Fontes: Gutierrez L. Coelho, 2003; Pedro Paulo Rezende, 2009; Wanderley Duck; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Comunicação, 1928; Revista Brasileira de Geografia, jul-set 1941)

Texto extraído do site:




***Clique sobre a imagem, para vê-la no tamanho original***