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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Movimento Por um Brasil Literário




Saiba mais sobre o Movimento Por um Brasil Literário e leia na íntegra o Manifesto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

10 dicas para brincar de ler



Pequeno vídeo com dez dicas de incentivo à leitura no âmbito doméstico. Realizado pela Kaiah Comunicação e Design, baseado no Passaporte da Leitura Brincar de Ler.



sábado, 10 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XVIII: Circuito Guimarães Rosa - TONINHO SOZINHA

Num fim de tarde de julho, aportei à casa do Sr. Toninho Sozinha. Chamei do portão e um rapazinho, Sérgio, apareceu à janela: "Papai não ta. Mas, vamos entrando!". Fui convidado a me sentar em um banco na cozinha, ao tempo em que Juliana, outra filha, se desdobrava em preparar um cafezinho e cortar um frango... Conversamos os três, por um bom tempo, fiz algumas fotos daquele espaço tão agradável, até Sr. Toninho chegar.

Quando soube que eu estava ali especialmente para conhecê-lo, ficou profundamente honrado e me levou direto para o quarto, onde estava o que eu ansiava ver e sobre o que eu mais queria que falasse: as famosas sanfonas que Toninho fabrica há décadas, artesanalmente.

Tendo trabalhado ainda menino com uma tradicional família de luthiers de Belo Horizonte, Sozinha teve de se valer de inúmeras estratégias para reter o segredo do fabrico das sanfonas: perguntador que era, tirava a paciência dos trabalhadores, que insistiam em não revelar os segredos do ofício. Bom de prosa e astuto, o menino Toninho então pagava umas cachaças àqueles homens, que, satisfeitos e "altos", pouco a pouco lhe transmitiam tudo.

Resultado: Toninho Sozinha, que tem o dom de ser simples ao tempo em que resguarda grande orgulho da consciência do valor de seu trabalho, se tornou um luthier de prestígio da região, atendendo aos maiores tocadores de várias regiões do país, seja construindo poderosas sanfonas, seja consertando e afinando esses instrumentos.

Em 2008, ele esteve em São Paulo, participando do espetáculo O Sertão no Meio do Redemoinho, promovido pelo Sesc, despertando comoção e respeito.

Depois de uma longa prosa, eu já me despedia, quando Sr. Toninho me perguntou: "Você gosta de um franguinho com quiabo?". Respondi que era o meu prato predileto. "Então, a Juliana acertou em cheio. A janta está esperando. A maior honra que tive foi a sua visita hoje, moço instruído que veio me conhecer. Mais honrado ainda vou ficar, se você não for embora sem ter jantado comigo".

Jantamos aquela comida de Deus: franguinho com quiabo, arroz soltinho, feijão e angu cozidos a lenha - em prato de folha de flandres esmaltada e com colher, como Sr. Toninho gosta, me relembrando antigas finezas e requintes que fazem toda a diferença nesse dom extraordinário de bem-receber.

Saí daquela casa tomado pelo gosto, pelos sons, pela singeleza vista, pelo abraço bom e por aquele cheiro antigo que me restituía por definitivo o pertencimento que não sentia desde a infância. Passando pelo quintal, vi ainda um monte de madeira para fabrico das sanfonas, enquanto Sr. Toninho me dizia da dificuldade de encontrar matéria-prima daquela qualidade hoje em dia e outras coisas que cada vez mais educasse meu olhar para não ver madeira naquelas toras, mas sanfonas, quem sabe música.

Saí de lá, sentei-me em um banco de uma pracinha deserta atrás da igreja e chorei. Desde aquela visita, inexplicavelmente, tenho pronunciado muito, todos os dias, o nome de Deus.





sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XVII: Circuito Guimarães Rosa - DONA DADÁ


Repetidas vezes temos falado da hospitalidade exemplar de Cordisburgo. Razão suficiente para optarmos pela hospedagem em casas de família.

O aconchego doméstico, o cheirinho de comida caseira, os pequenos gestos e movimentos, as visitas corriqueiras chegando com seus recados, suas novidades prosaicas e, às vezes, pitorescas... As falas discretas dos donos da casa, em respeito aos hóspedes, outras vezes diálogos francos entre eles, as crianças que passam pela rua, gritando da cerca, pedindo a bênção...

Tudo isso vivenciamos na casa de Dona Dadá. Dez dias de convivência com ela e já somos meio hóspedes, meio visitas, meio netos, meio filhos - e ninguém mais sabe direito quem é forasteiro ou quem é da família. Mas, tudo dentro da incrível capacidade mineira de ser tão hospitaleiro e reservado, ao mesmo tempo.

Nas imagens abaixo, um pouco da minha conversa com Dona Dadá, nossas incursões pelo quintal repleto de galinhas, por onde ainda passam diariamente tucanos, gambás e saguis famintos, dada a escassez de alimentos no cerrado...

Certa vez, mostrando a Dona Dadá as imagens lindas que fiz de sua cozinha, ela me disse: "Eu não sabia que esse trem velho era tão bonito... Quando eu tiver uma cozinha, eu quero uma igual a essa!".















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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XVI: Circuito Guimarães Rosa - Sr. MURILO



Presença marcante na cultura popular brasileira é a figura do benzedor. Em Cordisburgo conheci pelo menos três. Um deles é o Sr. Murilo, que, do começo da tarde a altas horas da noite, atende pessoas vindas de várias regiões em busca de auxílio espiritual ou de outros cuidados para a saúde. Depois de um dia inteiro de trabalho braçal, é com grande amabilidade que Sr. Murilo atende gratuitamente a todos, que se aglomeram no quintal de sua casa - muitos, "pacientes" antigos, que depositam total confiança no benzedor. Um belo gesto de solidariedade, de cuidado com o outro. A bênção, Sr. Murilo!




A plantinha que aparece nas imagens abaixo nasceu, espontaneamente, no quintal do Sr. Murilo. Nem o benzedor nem as diversas pessoas que o frequentam conseguem dizer que planta seja essa. Se alguém souber, por favor, nos avise!



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Eu vi meus Gerais XV: Circuito Guimarães Rosa - PRECATÃO



Seu Precatão. Apelido dado pelas irmãs, na juventude, é o nome como se popularizou em Cordisburgo. Barbeiro antigo na cidade, foi amigo de Juca Bananeira e Manuelzão, tipos eternizados na obra de Guimarães Rosa e cujas fotos estão expostas no espelho e na parede da barbearia.

Duas coisas de que não gosta: do Ibama e dos padres. O primeiro, por cercear as atividades dos caçadores, dos quais Seu Precatão é um. Já a aversão a padres se deve a um incidente com um antigo páraco de Cordisburgo, que, em plena missa, mandou perguntar se as fotos de mulheres nuas à época expostas na barbearia seriam das irmãs do barbeiro. Este, rebateu o sermão: mandou avisar ao padre que algumas eram, sim, suas irmãs, mas uma delas era a mãe do vigário!


O "causo" mais popular dessa personagem para lá de carismática e divertida está registrado neste pequeno vídeo feito com uma cyber-shot, enquanto Seu Precatão raspava meu cabelo, num começo de tarde.

Fala do seu suposto encontro com o demo, ao qual, ao longo do Grande Sertão: Veredas,Guimarães Rosa deu, mais ou menos, 92 nomes...







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sábado, 3 de outubro de 2009

Eu vi meus Gerais XII: Circuito Guimarães Rosa - A IGREJA DIZ


A igreja fica no topo da cidade. Assim, os badalos dos sinos, de hora em hora, a "Ave Maria", às seis da tarde, e prestação de serviços de toda ordem são ouvidos por toda Cordisburgo. Caso perca algum objeto, de passagem por lá, não deixe de anunciar na igreja. O serviço é eficaz e gratuito.

Abaixo, pequeno vídeo do comunicado de falecimento de um dos fazendeiros mais populares da região.





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Imagem de Cristo em "tamanho natural", localizada em uma clausura da igreja.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eu vi meus Gerais XI: Circuito Guimarães Rosa - BORDANDO ROSA (Vídeos)


Integrantes da Associação Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa, essas senhoras do Grupo da Terceira Idade Estrelas do Sertão, à partir de leituras ou de episódios dos livros que alguém lhes conta, se reúnem todas as segundas-feiras para bordar passagens da obra de Rosa. O menino Rodrigo, de 14 anos, é quem desenha, à partir das solicitações dessas senhoras e sugestões de Brasinha (haveremos de falar um pouco mais desta personagem), episódios e temas a serem relidos por essas mãos fabuladoras.






quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Eu vi meus Gerais IV: Circuito Guimarães Rosa - VEREDA DA MUMBUCA (Vídeos)


De vital importância para os mananciais, além de riquíssima fonte de alimentação e artesanato, o buriti, a "palmeira de Deus", um dos símbolos mais celebrados na obra de Guimarães Rosa, se encontra ameaçado. Veredas inteiras tem sido devastadas em função do plantio de eucalipto, uma verdadeira praga que se alastra por diversas regiões de Minas Gerais, e sob o incentivo irresponsável do Governo. Os pequenos vídeos abaixo, registrados com uma cyber-shot, foram realizados na Vereda da Mumbuca, entre Cordisburgo e Curvelo.